O Salto
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5/11/20263 min read


Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?
Hoje quero falar sobre algo que me perseguiu durante muito tempo e que, aposto, também ronda a cabeça de muita gente por aí: o medo de dar o salto. Não o medo de altura, não o medo de avião. O medo mesmo. Aquele que aparece de madrugada, quando você está quase dormindo, e pergunta bem baixinho: "E se você se arrepender?"
Quando a Marcela e eu decidimos largar o que tínhamos no Brasil e partir rumo à Europa, essa pergunta não apareceu uma vez. Apareceu todo dia. Em formas diferentes, com rostos diferentes, mas sempre com o mesmo fundo: e se a gente errar? E se daqui a alguns anos olharmos pra trás e virmos que foi a maior besteira das nossas vidas? E se o tempo passar, a disposição for embora junto com a juventude, e a gente ficar parado, sem ter ido e sem conseguir mais ir?
Sabe o que é engraçado? As duas perguntas se contradizem completamente. E foi aí que a ficha caiu.
O medo de ir e se arrepender. O medo de não ir e também se arrepender. Se o arrependimento estava garantido de qualquer jeito, a questão deixou de ser "vou ou não vou?" e virou outra: "com qual arrependimento eu consigo viver?"
E aí ficou mais fácil.
Não estou dizendo que foi simples. Longe disso. Tem uma narrativa muito confortável de que as grandes decisões da vida chegam com clareza, com certeza, com aquela sensação cinematográfica de que você está fazendo a coisa certa. Mentira. A nossa decisão chegou com dúvida, com noites mal dormidas e com a consciência de que nunca ia ter uma hora perfeita. Nunca. A conta bancária nunca ia estar exatamente onde a gente queria. O mercado nunca ia estar estável o suficiente. Sempre ia ter mais um motivo pra esperar.
Isso não significa jogar tudo pro alto e partir sem planejamento. Não é isso. Uma organização financeira mínima é inegociável. Não dá pra dar um salto de fé com os bolsos completamente vazios e chamar isso de coragem. Isso é imprudência. Mas tem uma linha fina, e muito fácil de cruzar, entre planejamento e procrastinação disfarçada de responsabilidade. Muita gente fica esperando as condições normais de temperatura e pressão que nunca vão chegar. E vai esperando. E vai esperando. E de repente olha pro espelho e percebe que o sonho foi ficando velho junto com ela.
Tem uma coisa que me ajudou muito a dar esse passo e que quero dividir com vocês: o lugar de onde você saiu ainda vai estar lá.
Leia de novo. O lugar de onde você saiu ainda vai estar lá.
Recomeçar não é derrota. Voltar não é fracasso. Se a jornada não der certo do jeito que você planejou, você tem a opção de retornar, reagrupar e tentar de novo. Isso não é vergonha pra ninguém. Isso é vida. A vida não é uma linha reta com ponto de chegada definido. Ela é uma série de escolhas que vão moldando quem você é. E uma escolha errada que você fez de peito aberto vale muito mais do que uma escolha certa que você nunca teve coragem de fazer.
A gente saltou. Com medo, com fé, com mala feita e coração acelerado. Saltamos porque sentimos que esperar mais podia significar perder uma última janela de viver com a liberdade que sonhamos. Mais autêntica. Mais nossa. Não foi irresponsabilidade. Foi a avaliação honesta de que o custo de não ir era maior do que o custo de ir e talvez errar.
No final de tudo, o que a gente quer é uma coisa só: chegar lá na frente com a consciência limpa de que fizemos escolhas, sejam elas certas ou erradas, e que não fomos congelados pelo medo de não alcançar a tal "estabilidade". A paz de saber que não deixamos o sonho morrer de velhice na gaveta enquanto esperavamos uma permissão que nunca ia chegar.
A hora certa não existe. O que existe é o hoje e o que você vai fazer dele pra garantir que seu amanhã não seja um ''tarde demais'',até por que o tarde demais só existe pra quem desistiu de sonhar e conquistar, e pra isso não existe hora, lugar e nem idade. sempre é tempo de recomeçar e escrever uma nova história..
Espero te encontrar pelo caminho!
Com carinho,
Pedro Vianna
